Por Ramiro Del Rio
Drones e fotos em Guna Yala: o que é permitido
Guna Yala não é um parque natural nem uma zona turística do Panamá: é uma comarca autônoma, com governo próprio, autoridades locais próprias e regras próprias. Isso inclui o que se pode gravar, onde e com que permissão.
Não é um detalhe burocrático. É a diferença entre uma viagem que a comunidade recebe bem e outra que gera um problema no cais.
A regra que rege tudo
Pergunta-se antes. Vale para uma foto de uma pessoa, para entrar numa casa, para voar um drone e para gravar numa comunidade.
Parece óbvio e, ainda assim, é a norma que mais se descumpre, quase sempre sem má intenção: o visitante vê uma cena bonita e dispara. Para quem vive ali, isso é um desconhecido apontando uma câmera para ele na sua própria rua.
Um simples «posso?» muda por completo como a comunidade te trata no resto do dia. E muitas vezes a resposta é sim.
Drones: permissão e, às vezes, taxa
Voar um drone na comarca não é livre. Cada comunidade decide, através de suas autoridades locais —o sáhila e o congresso—, se é permitido e em que condições. Há ilhas onde não há problema e há ilhas onde simplesmente não.
O que convém saber antes de colocá-lo na mala:
- Pergunte ao chegar, não quando já estiver no ar. O guia pode consultar a comunidade daquela ilha; faz parte do trabalho dele e ele faz isso sem drama.
- Pode haver uma taxa para gravar, especialmente se o vídeo tiver fins comerciais. Não é extorsão: é a comarca cobrando pelo uso do seu território, assim como cobra a entrada.
- Sobre comunidades habitadas, a resposta costuma ser não. Voar sobre casas e sobre pessoas é o que mais incomoda e o que gera mais recusas.
- Sobre cayos desabitados costuma haver muito mais flexibilidade, mas ainda assim é preciso perguntar.
E uma questão prática: nas ilhas não há onde carregar baterias fora das horas em que o gerador funciona. Se você vem para gravar, venha com tudo carregado.
Fotografar pessoas
Nas comunidades —Corbiski, El Porvenir, Narganá, Nalunega e as demais ilhas habitadas— a vida acontece à vista de todos. Isso não a transforma em cenário.
As mulheres guna com sua vestimenta tradicional são, de longe, o que o visitante mais fotografa. Muitas aceitam posar e algumas pedem uma gorjeta para isso, normalmente um dólar. É uma troca razoável e transparente: elas estão te dando algo.
O que não funciona é a teleobjetiva de longe para «não incomodar». Incomoda igual e ainda tira a possibilidade de perguntar.
O que mais a comarca pede
Não tirar as estrelas-do-mar da água. Fora da água elas sufocam em menos de um minuto, e a foto com uma na mão é a razão pela qual em outras áreas do Caribe já não resta nenhuma. Fotografam-se com a mão por baixo, dentro da água. Fica igualmente bonito.
Não pisar no coral vivo. Além de quebrá-lo —leva décadas para se refazer—, ele corta.
Não deixar lixo. Não há coleta nas ilhas: tudo o que entra sai na mesma lancha.
Não levar conchas, areia nem coral. Pode parecer inofensivo multiplicado por uma pessoa; não é multiplicado por milhares por ano.
Respeitar o consumo de água doce. Ela chega em galões desde o continente e é o recurso mais escasso da ilha.
Por que a comarca é rigorosa
Guna Yala conquistou sua autonomia em 1925 após uma revolução, e a defende desde então. O turismo entra ali sob as condições da comarca, não o contrário: por isso há um imposto de entrada, por isso há normas sobre imagem e por isso as autoridades locais podem fechar o acesso a uma ilha se acharem necessário.
Entender isso poupa mal-entendidos. Não é um destino que negocia com o visitante; é um território que o recebe.
Se a cultura por trás de tudo isso te interessa, contamos em o povo guna e suas molas.
Antes de vir com equipamento
Se você vem para gravar a sério —um projeto, um casamento, conteúdo comercial— diga na reserva e não no cais. As permissões com a comunidade são tratadas com antecedência, podem ter custo e nem sempre são concedidas. Avisar com tempo é a diferença entre gravar e não gravar.
Para uma viagem normal com celular e câmera de mão não é preciso nada especial: só perguntar antes de apontar para uma pessoa.
Perguntas frequentes
Pode-se voar drones em San Blas? Depende da ilha e da sua comunidade. Não é livre: é preciso pedir permissão às autoridades locais, e sobre comunidades habitadas costuma ser negada.
Cobram para voar um drone? Pode haver uma taxa, sobretudo com fins comerciais. Quem a define é a comunidade, não o operador do passeio.
Posso fotografar as mulheres guna? Perguntando antes. Muitas aceitam e algumas pedem uma gorjeta, normalmente de um dólar.
Posso tocar nas estrelas-do-mar? Podem ser olhadas e fotografadas dentro da água, com a mão por baixo. Não se tiram: morrem em menos de um minuto fora dela.
Posso levar uma concha de lembrança? Pede-se que não. Conchas, areia e coral ficam onde estão.
Preciso de permissão para entrar na comarca? Não há trâmite prévio: o imposto de entrada se paga no controle, em dinheiro. Explicamos em o imposto de Guna Yala.